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Entendendo a diferença entre os sistemas adesivos no mercado odontológico

  • Foto do escritor: Márcio Luiz Cantador
    Márcio Luiz Cantador
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Quando falamos em restaurações com resina composta, um dos temas mais importantes — e muitas vezes pouco compreendidos pelos pacientes — é o dos sistemas adesivos. Embora pareça um assunto técnico demais, entender por que existem diferentes tipos pode ajudar você a perceber por que o dentista escolhe um método ou outro em cada situação clínica.



O que é um sistema adesivo?

De forma simples, o sistema adesivo é o conjunto de substâncias que permite à resina composta “grudar” no dente. Diferente de materiais que apenas preenchem o espaço, a resina precisa de uma união química e micromecânica com o esmalte e a dentina para que a restauração seja duradoura, selada e estável ao longo do tempo.



Por que existem diferentes sistemas adesivos?

Assim como em outras áreas da odontologia, pesquisadores e fabricantes trabalham constantemente para melhorar resultados clínicos. Diferentes protocolos surgiram pensando em:

  • facilidade de uso

  • tempo de procedimento

  • força de adesão

  • redução da sensibilidade pós-operatória

Cada sistema tem vantagens e indicações específicas — não existe um “melhor” absoluto para todas as situações.



Principais tipos de sistemas adesivos

Apesar de existirem várias classificações, uma forma prática de entender os sistemas adesivos é dividi-los conforme o número de etapas do protocolo. Aqui vão os principais:

1. Sistemas em 3 etapas (Total-etch clássico)

Esse é o método tradicional e considerado um dos mais confiáveis. Ele envolve três passos:

  1. Condicionamento com ácido (etching): o ácido fosfórico é aplicado para remover a camada superficial e abrir microporos no esmalte e dentina.

  2. Aplicação do primer: essa substância ajuda a “preparar” as estruturas do dente para receber o adesivo.

  3. Aplicação do adesivo propriamente dito: cria a interface de união com a resina.

Esse sistema é detalhado, exige técnica, mas costuma apresentar resultados muito consistentes.

2. Sistemas em 2 etapas (Self-etch ou semi-esterilizáveis)

Aqui, o condicionamento e o primer já estão combinados em uma única solução. O processo fica mais rápido e com menos chance de erro técnico, mas a adesão ao esmalte pode ser um pouco menor em alguns casos.

Esse sistema é popular quando se busca um procedimento mais ágil, com boa performance clínica, especialmente em áreas onde o controle de umidade é mais fácil.

3. Sistemas “universal” (1 etapa simplificada)

Os sistemas universais representam a evolução dos adesivos: eles permitem que o dentista escolha se quer usar o protocolo mais tradicional (etch-and-rinse) ou o auto-condicionante (sem ácido isolado), dependendo da necessidade clínica.

A grande vantagem desses sistemas é a versatilidade, reduzindo o número de materiais necessários e oferecendo boas soluções tanto para esmalte quanto para dentina em diferentes regiões da boca.



Qual sistema é melhor?

A resposta é: depende da situação clínica, da cavidade a ser restaurada e da experiência do profissional. Em restaurações estéticas anteriores, por exemplo, o condicionamento mais criterioso do sistema clássico pode oferecer margens melhores. Já em dentes posteriores com dificuldade de campo operatório, um adesivo simplificado pode facilitar o procedimento sem comprometer o resultado.



E a sensibilidade pós-operatória?

Um dos motivos pelos quais os sistemas adesivos evoluíram foi justamente a redução de sensibilidade pós-restauração. Protocolos que diminuem a exposição da dentina ou que selam melhor os túbulos dentinários tendem a oferecer mais conforto ao paciente nos dias seguintes ao tratamento.



Conclusão

Entender a diferença entre os sistemas adesivos é importante não apenas para os profissionais da odontologia, mas também para quem busca tratamentos com resultados duradouros e previsíveis. Não existe uma solução única para todos os casos — cada protocolo tem suas características, vantagens e indicações.

Na prática clínica, a escolha do sistema adesivo é feita com base em evidências científicas, experiência do cirurgião-dentista e necessidades específicas de cada paciente. Se você ainda tiver dúvidas sobre qual adesivo foi usado no seu tratamento ou por quê, pergunte ao seu dentista! Uma boa conversa sempre ajuda a fortalecer a confiança e o entendimento.


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