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Siso Incluso: Precisa Tirar Mesmo? Quando Operar?

  • Foto do escritor: Márcio Luiz Cantador
    Márcio Luiz Cantador
  • 6 de jul.
  • 4 min de leitura

Você foi ao dentista, fez uma panorâmica e ouviu a temida frase: "Seu siso está incluso. Vamos precisar operar." A primeira reação costuma ser de apreensão — e de dúvida. Será que precisa mesmo tirar? Dá para esperar? O que acontece se eu não operar?


Se você está com essas perguntas na cabeça, este post é para você. Vamos esclarecer tudinho.



Primeiro: o que é um siso incluso?


O siso incluso (ou terceiro molar incluso) é aquele dente que não conseguiu irromper na gengiva — ou seja, ficou "preso" dentro do osso ou parcialmente coberto pela gengiva. Diferente do siso que nasce torto mas aparece na boca, o incluso fica escondido, muitas vezes sem dar nenhum sinal.


Só que "escondido" não significa "inofensivo".




Preciso tirar mesmo?


A resposta sincera: na maioria dos casos, sim. Mas não em todos. Vamos aos cenários:




Quando SIM: precisa tirar


- Dor, inchaço ou infecção recorrente (pericoronarite): a gengiva que cobre parcialmente o dente acumula restos de comida e bactérias, inflamando com frequência.

- Cisto ou lesão no osso: o folículo que envolve o dente incluso pode se dilatar e formar cistos, que destroem o osso ao redor.

- Reabsorção da raiz do dente vizinho: o siso incluso pode "encostar" no segundo molar e desgastar a raiz dele — um dano silencioso e irreversível.

- Apinhamento dentário: a pressão do siso tentando nascer pode desalinhar os outros dentes, inclusive comprometendo tratamento ortodôntico.

- Cárie no siso ou no dente vizinho: mesmo incluso, a comunicação com a boca pode permitir cáries de difícil acesso.

- Antes de ortodontia ou cirurgia ortognática: o ortodontista pode pedir a remoção para garantir espaço e estabilidade.




Quando NÃO precisa tirar


- O dente está totalmente incluso, sem comunicação com a boca, sem lesão associada, sem dor e sem risco de dano aos dentes vizinhos — e o paciente está em acompanhamento periódico com radiografia.

- O siso incluso está em uma posição onde a remoção oferece mais risco do que benefício (ex.: muito próximo ao nervo alveolar inferior, com risco alto de parestesia).


💡 Atenção: a decisão de não operar é tão séria quanto a de operar. Deve ser tomada com base em radiografia panorâmica + tomografia (quando necessária) + avaliação clínica criteriosa.



Quando é o melhor momento para operar?


Se a remoção for indicada, a pergunta de ouro é: quanto antes ou pode esperar?




A janela ideal


A cirurgia é mais simples e a recuperação mais rápida quando:


- O paciente é jovem (entre 16 e 25 anos, idealmente). Nessa fase o osso é mais elástico e a raiz do siso ainda não está completamente formada.

- O dente não está infectado no momento da cirurgia — o ideal é operar "no frio", com a gengiva saudável.

- O paciente está com a saúde em dia e pode se programar para um pós-operatório tranquilo (3 a 7 dias).




Dá para esperar?


Se o siso incluso está assintomático e sem sinais de risco, **dá para acompanhar**. Mas é um acompanhamento ativo: consultas regulares com radiografia para monitorar. O problema é que, quando os sintomas aparecem, muitas vezes já há dano ao dente vizinho ou ao osso.




O que acontece se eu não tirar?


Alguns riscos reais de postergar indefinidamente:


- Pericoronarite de repetição: infecções recorrentes, dor intensa, que pode evoluir para abscesso grave.

- Cisto dentígero: destruição óssea silenciosa, que pode demandar uma cirurgia muito maior no futuro.

- Cárie no segundo molar: o dente vizinho fica comprometido e, em alguns casos, acaba condenado à extração.

- Reabsorção radicular: perda irreversível de estrutura do dente saudável.

- Fratura de mandíbula: em casos extremos, o osso fica enfraquecido pela lesão.

- Cirurgia mais complexa com a idade: osso mais denso, raiz já completamente formada e recuperação mais lenta.




Como é a cirurgia?


A remoção do siso incluso é feita sob anestesia local (na maioria dos casos), com sedação se o paciente preferir. O cirurgião faz um pequeno acesso na gengiva, remove o osso ao redor se necessário, secciona o dente (quando preciso) e o remove. Depois sutura o local.


Dura em média 30 a 60 minutos por dente, dependendo da complexidade.




Pós-operatório: o que esperar?


- 1º ao 3º dia: inchaço no pico, desconforto controlado com medicação, alimentação líquida/pastosa fria.

-4º ao 7º dia: melhora progressiva, os pontos começam a incomodar menos.

- 7º ao 10º dia: remoção dos pontos, retorno à alimentação normal de forma gradativa.


Os cuidados clássicos: compressa fria nas primeiras 24 a 48 horas, repouso relativo, evitar bochechos vigorosos e **não fumar** (o cigarro aumenta muito o risco de alveolite seca, uma complicação dolorosa da cicatrização).


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Resumo para levar para casa


- Siso incluso com dor, infecção, cisto ou dano ao vizinho: operar, e logo.

- Siso incluso assintomático, sem lesão: acompanhar com radiografia; a decisão é individualizada.

- Siso incluso em paciente jovem, mesmo sem sintomas: avaliar remoção profilática — a recuperação costuma ser melhor nessa fase.

- Siso incluso com alto risco cirúrgico (muito próximo ao nervo): ponderar risco-benefício com auxílio de tomografia.



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